Peixes de água doce do Brasil – Tucunaré Borboleta – Cichla orinocensis

Peixes de água doce do Brasil - Tucunaré Borboleta

O tucunaré borboleta, assim como a maioria dos tucunarés, tem uma mancha redonda no pedúnculo caudal que passa a impressão de ser um outro olho, servindo para confundir e afugentar os seus predadores. Porém, o que o difere das outras espécies são três ocelos bem definidos no seu corpo.

Peixe de escama de água doce pertencente à família Cichlidae, uma das maiores de água doce do mundo, apresenta coloração que vai do amarelo ouro ao amarelo-esverdeado.

A espécie que pode pesar 4 kg e passar dos 60 cm de comprimento, tem corpo um pouco comprimido, ligeiramente quadrado e cabeça grande.

Apresenta comportamento territorial, ou seja, defende um certo espaço onde se alimenta e se reproduz. Também possui cuidado parental, ou seja, faz ninhos e cuida de ovos e filhotes, comportamento pouco comum entre os outros peixes. Pode vir a apresentar canibalismo apenas quando não reconhecem os da mesma espécie, mas isso logo acaba quando surgem os ocelos.

É um peixe essencialmente carnívoro e costuma perseguir sua presa até a captura. Quase todos os outros peixes predadores desistem após a primeira ou segunda tentativa malsucedida.

A dieta é composta por pequenos peixes, insetos, crustáceos e pequenos animais como as rãs.

Nos primeiros 30 dias de vida, as larvas do tucunaré se alimentam de plâncton. A partir do segundo mês de vida, a espécie começa a ingerir alimentos vivos maiores como larvas de insetos, por exemplo. Quando os alevinos de tucunaré borboleta chegam ao terceiro mês de vida, já se alimentam de pequenos peixinhos e camarões. A partir do quinto ou sexto mês de vida, os peixes alimentam-se exclusivamente de peixes vivos.

Ovíparos, na época da reprodução costuma espantar vorazmente os predadores que se aproximam. Nessa época, é comum que os machos apresentem protuberância de cor escura entre a cabeça e a nadadeira dorsal, semelhante ao cupim de um touro, que desaparece logo após a fêmea desovar. Essa saliência nada mais é do que uma reserva de gordura acumulada para os períodos que antecedem a desova, quando tomará conta dos filhotes e dificilmente se alimentará.

Cada fêmea pode ovular duas ou mais vezes durante o período de reprodução. Normalmente é ela quem toma conta do local, enquanto que o macho circula em volta para evitar a entrada de intrusos no seu raio de ação. Depois de limpa a superfície do futuro ninho, a fêmea coloca os ovos, que imediatamente são fecundados. A eclosão ocorre de 3 a 4 dias depois.

Ovos e filhotes em fase inicial de desenvolvimento podem ser guardados na boca dos pais que podem passar vários dias sem se alimentar

Os filhotes de tucunaré são protegidos pelos pais até atingirem aproximadamente dois meses de idade e um comprimento médio de 6cm. Enquanto estão protegidos pelos pais, os alevinos não possuem a pinta na cauda, uma das características mais marcantes no tucunaré. Nessa ocasião, predomina uma faixa preta longitudinal ao longo do corpo. Apenas quando se separam, começam a aparecer tanto as três pintas. Nesta ocasião habitam as vegetações nas margens. Os filhotes, após serem abandonados pelos pais seguem aos milhares, em cardume, para regiões de águas quentes se protegendo em locais de densa vegetação.

Onde encontrar
Originário das Bacias Amazônica, o tucunaré borboleta é uma espécie territorial e sedentária, não realiza migrações. Na Bacia Amazônia, quando os rios estão com as águas baixas, habitam principalmente as lagoas marginais, partindo para a mata inundada (igapó ou mata de várzea) durante as cheias. Nas lagoas, durante o início da manhã e final do dia, quando a água já está mais fria, se alimentam próximo às margens. Quando a água esquenta, passam par
o centro das lagoas. Não aprecia águas correntes. Em rios pode ser encontrado em remansos. Nas represas prefere viver junto as margens, nos locais onde podem ser encontradas galhadas, plantas flutuantes e outras estruturas submersas que formam um refúgio.

Prefere águas mais quentes, com temperaturas entre 24 a 28 graus, mais claras até águas amareladas, ricas em material orgânico, mas rejeitam águas avermelhadas ou excessivamente turvas.

Quando os peixes são pequenos, os cardumes são muito grandes. Ao atingirem um tamanho médio, o número passa a ser da ordem de duas dezenas ou pouco mais. Já adultos, em fase de acasalamento ou não, andam sozinhos ou em pares.

São peixes diurnos e o tamanho mínimo liberado para sua captura é de 35 cm.